quinta-feira, 15 de setembro de 2011

vontades

quis o mar a brisa
quis a brisa cabelo
que solto
leve
quis a pele

ciclo de quereres
enlaçam-se em consumo mútuo
a cada sopro toque imagem
a cada fruto

sopros de inconstância
que mirabolam cá e lá
a coreografia de desejos
incontidos
réles
faz-se aflorar

por fim
costura-se tal trama de vulgaridades
bordadas à mão
no linho do acaso
pontos, um milhão

desejos estes
que de tão pequenos
contrastam com querer meu
querer meu que
límpido

resume-se a ti

terça-feira, 6 de setembro de 2011

monóxido de cotidiano

quarta
céu quase preto/branco de nebuloso
acinzentado que vem do chão
chão paulista o qual encaro em contramão

a fim de florir
me alimento dos poluentes sonoros
visuais, texturatos
gasosos
alheios

espero o farol
pra pedestre eu poder cruzar
avenida a pulsar em meus pés
ao crepúsculo,
cardeal arcoverde a me entornar

sons graves de baixo no fone da orelha esquerda
-outro escorregou na esquina com a fradique-,
andar
inconscientemente
ritmado

nervos meus se enervam
pelo solo e se perdem
dentre fatos mil
metropolitanos mil

o grande organismo
luzes cores gases
andares cliques atrasos
buzina transa cumprimento
porta batendo
xingamento

vem de todo lado
a cada passo rumo ao centro
intensifica-se

e culmina na sé

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

companhias

é a presença clichê
do triste sabiá perdido
que floresce o ipê
roxo-rosa de não mais contido

assim como papel branco
invariavelmente, de caneta depende
à base de risco-rabisco-tranco
pra que, de verso em verso, poema emende

sábado, 6 de agosto de 2011

cisco doce

acaba que floresce no inverno
de larga pétala e suave tom

por esparramar o aroma morno
por colorir onda sopro e som

folia de luzes:
eis que brota sentimento bom

terça-feira, 26 de abril de 2011

endorfinas

pensas pesas planejas
arrepende-se aqui e acolá
prêmio final: almejas

mostrador digital do despertador
deliciosa bomba armada
diária incerteza, temor

hormônio a mais hormônio a menos
no fim tudo é presença e ausência dos tais
químicos, físicos fenômenos

aos quais tudo dedicamos

domingo, 24 de abril de 2011

transcendência

nota-se latente
alusão à fuga, ardente

nota-se presente
ode ao vento, pungente

o sopro então obedece e vem e leva
o corpo que pede

alma que vai

quinta-feira, 14 de abril de 2011

verso premeditado

composição poética
produzindo poema pronto
blasé em proparoxítonas
sempre no mesmo ponto

sem fuga possível
temática pré-cozida
poesia já impressa
na impureza de uma folha limpa